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CULTURA

A Mitre Galeria apresenta, a partir de 30 de agosto, Cálculo para beijar o magma, exposição inédita da artista mineira Luana Vitra, em São Paulo.

Zilda Brandão
28/08/2025 às 11:18hs


 Fluxos Migratórios, 2025 - Crédito - Luana Vitra,

Em Cálculo para beijar o magma, a artista mineira observa forças invisíveis que conectam o ferro e o movimento migratório dos pássaros

O ferro é o eixo central da pesquisa de Vitra – elemento vital presente no corpo humano, responsável por transportar oxigênio via hemoglobina, e também nas estrelas, que o geram até seu colapso em supernovas ou buracos negros. Em suas mãos, o ferro deixa de ser apenas matéria-prima: torna-se elo entre vida, natureza, ciência e cosmos.

Ao mesmo tempo, o material carrega o peso histórico de Minas Gerais, terra natal da artista, onde a mineração, desde o período colonial, estrutura economias e territórios por meio da extração e da violência. Ao incorporá-lo em suas obras, Vitra tensiona essa herança, deslocando o minério de mercadoria e resíduo, para corpo vivo e relacional, carregado de memórias, histórias e forças que resistem ao esgotamento.

Dentre as obras, destaca-se conceitualmente a investigação da artista entre o bico do pássaro e o centro magnético da terra. Alguns pássaros possuem magnetita em seu bico, e essa pedra é inteiramente composta de ferro, e quando em movimento migratório, é a relação entre o ferro presente do bico dos pássaros e o ferro que cria o campo magnético terrestre em seu núcleo, que orienta a direção do voo. Então o ferro aqui se torna bússola, mas também se desdobra em afetividade, pois a partir desse fenômeno físico a artista fabula que todo movimento migratório do pássaro vai na direção do seu desejo de beijar o núcleo da terra. 

A exposição revisita trabalhos que marcaram sua trajetória, como Pulmão da mina (35ª Bienal de São Paulo, 2023) e Amulets (SculptureCenter, Nova York, 2025), onde a presença do pássaros, seja através das penas, dos pássaros de prata e cobre, ou dos rótulos das caixas de wagi, se afirmaram como existências importantes para pensar a relação com os metais.  Vitra traz um conceito da física quântica denominado Emaranhamento quântico, que diz respeito a presenças que estão intimamente interligadas, onde se torna impossível explicar a existência de uma, sem citar a outra, mesmo que estejam separadas a milhões de anos luz. Para Vitra, talvez seja esse tipo de relação que existe entre a vida do pássaro e a do metal. 

Segundo Ariana Nuala, “a obra de Vitra não se limita a paralelos poético-científicos. Ela insiste em dar voz às forças não humanas, reconhecendo que a política não é monopólio do humano, mas também se joga nos regimes da matéria e da energia. Nesse horizonte, suas esculturas não podem ser lidas como representações, mas como ativações. Seus gestos escultóricos coreografam partículas, poeiras, respirações e gravidades. Os pássaros são condutores máximos: seus bicos carregam oralidades e vibrações”.

Cálculo para beijar o magma reafirma Luana Vitra como uma das vozes mais potentes da nova geração da arte brasileira – uma artista que transforma o mineral em movimento, o território em corpo e o invisível em presença.

Sobre a artista

Luana Vitra (Contagem, MG, Brasil, 1995) nasceu e cresceu no estado de Minas Gerais, numa região conhecida por paisagens naturais monumentais e marcada profundamente pelas atividades industriais da mineração. Experimentou desde sempre, portanto, as diversas manifestações possíveis do ferro e da fuligem. Gestada entre a marcenaria — pelo lado do pai — e o manejo das palavras — pela parte da mãe —, sua prática parte de processos que reconhecem as qualidades físicas e os contornos sutis da matéria, e investigam a infusão psicoemocional das paisagens. A partir de composições realizadas com uma ampla gama de materiais, seus objetos e instalações reconfiguram símbolos universais e elaboram outros, especialmente investidos nas qualidades da matéria, evocando poesia, discutindo subjetividades e suscitando questionamentos políticos.

Sobre a Mitre Galeria

A Mitre Galeria, fundada em 2023 por Rodrigo Mitre, surgiu com o compromisso de contribuir para um imaginário social diversificado e efervescente no Brasil, e com a firme crença na prática artística como um motor chave para a transformação positiva do indivíduo e da sociedade. A galeria vem articulando propostas que ativam o cenário das artes contemporâneas em Minas Gerais, no Brasil e além, com um grupo de artistas de diferentes gerações, formações e práticas. Com um programa baseado em invenções estéticas que mudam perspectivas, provocando um reexame do passado e da imaginação do futuro, ao mesmo tempo que nos ancoram nas questões do presente, Mitre reafirma a sua busca por iniciar ações instigantes que nos conduzam ao desconhecido, abraçando o mistério como uma força vital.     

Serviço:

Luana Vitra – Cálculo para beijar o magma

Local: Mitre Galeria

Endereço: R. da Consolação, 2761, Jardins - São Paulo SP, 01416-001, Brasil

Abertura: 30 de agosto, das 11h às 18h

Período expositivo: 1 de  setembro à 30 de outubro

Horários: de segunda a sexta-feira, das 10 às 19h | Sábados, das 10 às 16h



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