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CULTURA

Com o tema Som, Cena e Corpo, projeto idealizado pela Aymberê Produções inspira educadores e jovens no campo das artes do espetáculo

Zilda Brandão
24/06/2021 às 00:37hs


Por conta da pandemia do Covid-19, em 2021 a Aymberê Produções Artísticas, com realização do Governo do Estado de São Paulo, por meio da Secretaria de Cultura e Economia Criativa, e patrocínio Viação Cometa, adaptou o Projeto Rota da Cultura para encontros e estudos virtuais. Para Patrícia Ceschi, diretora da Aymberê, o projeto cumpriu seu propósito de inspirar os participantes a se aprofundarem e se apropriarem do universo das artes da cena. “Sabemos que essas atividades vão reverberar nas salas de aula e projetos de extensão dos alunos das oficinas”, diz.

As ações educativas que eram realizadas no Parque de Vila Maria, bairro da zona norte de São Paulo, em espaços das escolas e de centros culturais do território, como a Casa de Cultura da Vila Guilherme, foram realizadas online entre os meses de janeiro e maio desse ano, num total de 6 oficinas, com participação de 150 educadores e jovens, sem contar as nove transmissões ao vivo com artistas convidados.

Originalmente, o Rota da Cultura foi pensado para proporcionar aos participantes a fruição de obras das artes da cena ao vivo em importantes equipamentos culturais da cidade de São Paulo, como o Instituto Moreira Salles, Museu da Imagem e do Som, Casa da Imagem e unidade do SESC São Paulo. Nessa nova configuração, os alunos foram estimulados a assistirem coletivamente aos espetáculos introduzidos como obras de referência e, posteriormente, compartilharem suas experiências virtualmente.

Entre as obras de referência apresentadas durante as oficinas sobre MÚSICA DE CONCERTO, ÓPERA, DANÇA E TEATRO destacam-se o vídeo da obra O Trenzinho do Caipira,  de Villa- Lobos, com interpretação da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (OSESP), a ópera Don Giovanni, de Mozart, na montagem do Theatro São Pedro, o espetáculo Gira, do Grupo Corpo, e a peça Gota d’Água {PRETA}, musical de Chico Buarque e Paulo Pontes com direção de Jé Oliveira.

"Embora nada substitua a experiência vivida em plenos sentidos, o fato dos planos terem sido alterados possibilitou que as pessoas tivessem acesso a uma rica gama de conteúdo, o qual trouxe desdobramentos no campo das artes e conhecimento”, afirma Patrícia. Formada em Relações Públicas pela ECA-USP, com especializações em Administração para o Terceiro Setor, Marketing e Gestão Cultural, História da Arte, Direção de Palco e Artes da Cena, Patrícia acredita que o Projeto Rota da Cultura Som, Cena e Corpo se tornou uma das inciativas mais desafiadoras da Aymberê.


Patrícia Ceschi, diretora da Aymberê, idealizadora do projeto. Foto: Gustavo Barros

Como foi o processo para readequar o projeto à nova realidade?

Nos debruçamos sobre o projeto durante mais de um mês para readequá-lo da melhor forma possível. E somamos a isso o comprometimento do nosso patrocinador, Viação Cometa, que ao longo do ano passado, conforme foi recobrando suas atividades (altamente impactadas durante a pandemia), manteve a consistência nos aportes de patrocínio, o que nos possibilitou levar a cabo este projeto nesse momento tão delicado. Sentimos que a oportunidade de concluir esse projeto, ainda que em um formato não previsto anteriormente, é um grande presente e um privilégio.

Como acredita que os alunos usarão esse conteúdo?

Espero que os participantes se sintam estimulados a pesquisar mais sobre essas artes, bem como a visitar os valiosos equipamentos culturais que temos na cidade de São Paulo e conhecer os/as artistas e companhias que os animam.

Qual a contribuição mais importante do projeto?

Nosso público prioritário em todos os projetos que desenvolvemos para o território do Parque Vila Maria é o jovem e o trabalho com os/as professores/as nos permite ampliar o acesso a esse público, pois cada professor/a envolvido se torna um/a multiplicador/a. Nossa maior contribuição foi compartilhar com esses profissionais o prazer em proporcionar aos jovens novas - e valiosas - experiências, assim como a ampliação de seus repertórios artísticos e culturais. Cada linguagem artística traz uma nova possibilidade de elaboração das experiências que vivemos, bem como uma nova possibilidade de expressão.

Como você avalia este novo formato de oficinas? As pessoas poderão acessar o conteúdo em qualquer momento?

Ficamos impressionados com a adesão dos professores/as e a rica variedade dos participantes. Os conteúdos estarão a disposição das pessoas por meio das nossas plataformas, no próprio site da Aymberê Produções Artísticas (https://aymbere.com.br). Acredito que neste momento de tanta dificuldade em todos os sentidos, trouxe um pouco de alento para que as pessoas pudessem mergulhar em ambiente artístico.

E quais os próximos projetos, já podem nos adiantar? Vocês continuarão atuando na região da zona norte de São Paulo e cidades circunvizinhas?

A Cometa, o nosso patrocinador buscava um projeto original e sob medida, que levasse benefícios culturais, sociais e econômicos ao território. Foi assim que, com extrema satisfação, iniciamos nossos trabalhos no território Parque Vila Maria. Começamos as primeiras parcerias com as Escolas do entorno e a construir laços, vínculos e afetos a partir de projetos de arte e ação educativa continuados. Ao longo desses anos, criamos uma rede de agentes que compreende instituições educacionais, ongs, centros culturais, unidade de saúde e lideranças na comunidade. A continuidade dos projetos nos permite aprofundar as ações ao longo dos anos, formar vínculos mais duradouros e, cada vez mais e melhor estreitar os vínculos entra a empresa e território em que está inserida.

Com o retorno da normalidade pretendemos para o próximo ter projetos presenciais que integram a comunidade local e do entorno, pois tivemos também muitas adesões de cidades próximas, como Guarulhos, e até de outros Estados do país. Temos certeza que este ano serviu de grande aprendizado e nos conectou muito mais com o nosso público. 


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