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BELEZA

Zilda Brandão
20/02/2022 às 17:39hs


Dr. Adel Bark Junior está sistematizando, pela primeira vez, técnica criada em 1924, na Alemanha, com o objetivo de torná-lo reprodutível para quase 100% dos casos de sustentação mamária

A mastopexia é a quarta cirurgia plástica a que as brasileiras mais se submetem, de acordo com o último levantamento realizado em 2018 pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), representando 11,3% das cirurgias plásticas feitas no país. O procedimento é indicado para pacientes que desejam levantar ou mudar a forma dos seios, seja por questões de saúde ou de bem-estar, que querem retirar os implantes de silicone (explante), corrigir a flacidez ou queda mamária, com ou sem implantes.

 

A novidade é que uma das técnicas de mastopexia com cicatriz reduzida -- criada pelo cirurgião plástico Hollander em 1924, na Alemanha, e replicada por cirurgiões brasileiros nas décadas de 1980 (professor Antonio Roberto Bozola) e 1990 (professor Armando Chiari Junior) -- está sendo sistematizada de forma diferenciada pela primeira vez no Brasil.

 

Adel Bark Junior traz em seu currículo mais de três mil cirurgias de mastopexia utilizando a técnica da cicatriz reduzida, ou cicatriz em 'L'. A média de idade das pacientes operadas é de 28 anos e, quando indicado, os volumes de implante mais utilizados são de 275 e 295ml. O método -- que tem apresentado preferência absoluta pelas pacientes operadas devido a uma menor incisão -- é uma evolução da técnica tradicionalmente realizada, que possui a incisão em formato de 'T' invertido.

 

Segundo ele, atualmente, o número de cirurgiões plásticos que aplicam essa técnica no Brasil é muito baixo. "Isso porque a grande dificuldade encontrada é a marcação pré-operatória. Por ser complexa e pela individualidade de cada paciente, torna-se difícil realizar a marcação em diferentes mamas, especialmente nas volumosas e com maior queda", explica o médico, que está se dedicando à disseminação da reprodutibilidade da técnica.

 
Sistematização - O cirurgião curitibano, Adel Bark, conta que aos poucos eliminou a necessidade da marcação prévia, que gerava grande complexidade cirúrgica, e hoje aplica a técnica em casos cada vez mais desafiadores.

"Eliminando a marcação prévia conseguimos sistematizar uma maneira reprodutível de executar a técnica da cicatriz em L, tanto que, até 95% dos cirurgiões que a aprenderam estão realizando a cicatriz em L nas suas pacientes", diz Adel. O objetivo do especialista é difundir a realização desse método e atingir o maior número possível de mulheres pelas mãos de outros médicos.

 

A ausência de cicatriz entre as mamas não aumenta a cicatriz horizontal lateral e tampouco prejudica o formato da mama por apresentar uma incisão menor. Segundo o médico, a cirurgia "elimina a cicatriz entre as mamas e permite que a mulher possa escolher roupas sem se preocupar com a marca. Ao mesmo tempo, vale lembrar que nessa região as cicatrizes tendem a ficar mais largas e escuras se comparadas ao restante da mama", esclarece Adel Junior.

 

Casos de cicatriz reduzida - A cicatriz reduzida é levada em consideração na escolha do procedimento cirúrgico para pacientes que, por exemplo, sofreram muito tempo com o peso das mamas ou por terem a mama muito reduzida.

 

É o caso da estudante Isadora Pelacini, de 18 anos, que fez a mastopexia redutora em L agora em 2022, devido ao excesso de volume das mamas. "Afetou muito minha coluna e me deixou com a postura errada. Eu sentia dores nos ombros e, o principal, minha autoestima estava afetada. Não me sentia bem daquela forma, não conseguia usar uma blusa mais justa, decotes ou vestidos; não me sentia bonita", conta. Isadora afirma que a escolha pela mastopexia em L, além de todas as vantagens, trouxe mais segurança e satisfação. "Traz mais liberdade na hora de escolher as roupas, especialmente no verão. Estou maravilhada com o resultado e muito mais feliz a cada dia".

 

A sargento da aeronáutica, Tathyane Marcelle Oliveira Silva, de 27 anos, também realizou a cirurgia com em novembro de 2021, buscando a redução no volume das mamas e melhora na saúde. "Eu sentia dor nas costas e desconforto para fazer exercícios. Agora não sinto mais o peso dos seios e estou confortável para fazer qualquer coisa e usar qualquer roupa, mesmo as mais decotadas", afirmou.

 

Curso - Com o objetivo de disseminar o conhecimento, o Dr. Adel desenvolveu um curso de especialização, em Curitiba, chamado "Mastopexia em L sem segredos". Até o momento, 30 cirurgiões, todos membros da SBCP, já participaram do curso, que está iniciando sua 5ª edição. Para garantir o melhor aprendizado, as inscrições são limitadas a nove alunos por turma. O novo curso iniciou neste dia 17 de fevereiro e segue até sábado, 19 de fevereiro, reunido cirurgiões de diversos estados Brasil. Ao todo, são 6 horas de aulas teóricas e 18 horas de prática, que capacitam o cirurgião para a realização da mastopexia em L.

 

Um dos alunos formados no curso, o cirurgião plástico Edson Neto, de Teresina/PI, afirmou que a ausência da cicatriz entre as mamas quebra um dos principais bloqueios das mulheres em relação a esse tipo de cirurgia. "O curso possibilita oferecermos uma nova opção de cirurgia para as nossas pacientes. Além disso, é muito didático e a prática nos fornece mais segurança, controle e aprendizado da técnica para ser reaplicada nas próximas cirurgias", ressaltou o médico piauiense.

 

 


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